As
paredes obsoletas, os candeeiros semi-cerrados, a modéstia da mentira, o
oculto da imaginação, a sensibilidade do homem vulgar, a chamada para o
infinito, a devastação pessoal, o medo da solidão, o tacto quando deixa
se ser tacto… Uma sala sublime com candelabros de cristal, o chão feito
de vidro, as damas com os seus sapatos mortíferos para este chão, os
cavalheiros com suas bengalas emproadas, fazendo piadas vulgares e as
meninas com seus corpetes apertados prestes a sufocar, riem… assim foi o
caminho de quem nos antecedeu, o nosso é similar. A sala moderna, os
candeeiros de um novo decorador de interiores que se casou com uma
menina cujo pai é partidário, decide dar-lhe fama, para o elitismo não
morrer… o chão continua sensível, pois os sapatos tornaram-se
perfuradoras que ao invés de encontrarem petróleo, encontram varizes nas
belas pernas refeitas por um cirurgião cujo nome é a sua porta de
segurança! As meninas cheiram o numerário, para em suas camas feitas de
cerejeira, sonharem com armas mais caras e que exponham ainda mais o seu
porte, comportam-se como objectos, como se simplesmente se tivessem
deixado influenciar por estes… rodam sobre seus leitos pensando que os
encontros no casino lhes vão trazer mais ornamentos para seus belos e
esguios pescoços, que assim o são, pois os locais mais repugnantes, são
os que escolhem para largar toda a gula que se torna desta forma em
avareza! Riem de piadas ordinárias com seus peitos a brotarem pela blusa
de seda que em suas mentes rogam para um botão se abrir, ou talvez
dois, depois fingem constrangimento, satisfeitas com os olhares sujos
que lhes são atribuídos!
Quem é esta gente?
Porquê merecem eles respirar o ar que eu respiro?
Seria eu mais feliz se fosse desta forma? Talvez… mas, então, quem escreveria para vós?
O
sucesso inesperado apraz a sensibilidade alheia que é fraca com o poder
da imagem que hoje ilumina os nossos dias com mentiras aprazíveis!
Mintam, enganem-se, assim a vida é mais fácil, apesar de dessa forma eu
não a intitular como sendo vida! Mais um cigarro termina, mais uma
doença emerge.
Fiquem
doentes com a vossa ambição desmedida, com vossas futilidades, eu
prefiro morrer aqui, num canto pelo qual ninguém consegue trespassar!
Vós sois mais espertos, não sofreis porque não vedes o que eu nunca
conseguirei ocultar! “Amanhã é um novo dia”… para mim é só mais uma
data.
Espero
que a esperança me entre pela janela, que me leve para além da
atmosfera, para aquele lugar recôndito, onde se esconde a essência do
ser!
Não
tarda todos somos comida para vermes, mas mesmo sabendo da única
certeza universal, prefereis viver vossos jogos. Eu, terei que fazer o
mesmo, porque até o meu amor por vós já foi corrompido! Maldita lógica
humana! Deixo-vos a minha praga! Espero que todos amem alguém que não os
ama, que os sonhos sejam cada vez mais constantes, e que ninguém passe
incólume à tristeza universal, pois todos sereis punidos pela vossa
douta ignorância! Sois desprezíveis! Odeio a vossa serenidade perante a
mortificação social! Aliás, usais este termo para vos desculpares, sóis
asquerosos! Porque não admitíeis o amor? Porque viveis na incerteza e na
destreza humana? Mas, não serei eu a julgar-vos, vós acabareis por
fazê-lo, quando em vossas paredes só conseguires ver escrito: sempre só!
Ana Nogueira
Publicado no Jornal Universo Paralelo - Braga/Portugal
http://bragaexpresso.blogspot.pt
Publicado no Jornal Universo Paralelo - Braga/Portugal
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