Quando virem meu poema
quando olharem para mim
querem,
(mas eu não me calo)
quererão queimar
meu poema,
(o poeta não se cala).
Enquanto o sol brilhar
enquanto a lua existir
enquanto o ser durar.
Não me calo.
Quererão queimar
quererão matar
meu poema,
mas ficarão as cinzas,
as cinzas do poeta
que mais tarde
darão flor,
a flor de ser poeta.
Queimarão com ácidos
ficará a mancha;
cortarão as mãos
ficará o pensamento;
apagarão as luzes
ficará o escuro.
Querem mas
o poeta não se cala.
Só se conseguirem
algum dia
acabar com a raiz
a raiz de ser poeta.
Likó, Sou Eu (páginas 36-37)

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