Foi com surpresa e
“imensa alegria” que Rita Ferro recebeu a notícia de que o seu livro A Menina é
filha de quem? venceu o Prémio Pen Clube Português de Narrativa para livros
publicados em 2011. Maria Filomena Molder venceu na categoria Ensaio, Fernando Guimarães
na Poesia e Pedro Vieira na Primeira Obra de romance.
Num breve contacto
com o PÚBLICO, Rita Ferro disse que esta distinção foi uma grande surpresa,
sobretudo sabendo que entre os cinco finalistas do Prémio de Narrativa estavam
As Luzes de Leonor de Maria Teresa Horta, A Rocha Branca de Fernando Campos, O
Romance do Gramático de Ernesto Rodrigues, e Tempos de Esperança de Pedro
Beltrão.
“Não me passou pela
cabeça. Digo-o com toda a humildade”, confessou a escritora. “Fiquei muito
feliz por estas pessoas do júri reconhecerem este livro como um livro sério.
Foi a primeira vez que escrevi um romance sobre a minha vida.”
Rita Ferro, 57 anos,
é filha do escritor António Quadros e neta de António Ferro, jornalista,
político e director do Secretariado Nacional da Propaganda de Salazar. A sua
mãe Paulina Roquette Ferro é personagem central do livro premiado.
Autora de mais de 20
livros, Rita Ferro, que publica com a D. Quixote, diz que este livro se
distingue dos outros por isso mesmo. “É matéria-prima da minha vida. Não é
ficção. Há uma outra intensidade, outra verdade e outro entusiasmo.”
A decisão do PEN
Narrativa foi tomada por unanimidade pelo júri composto para esta categoria por
Helena Barbas, Artur Anselmo e Fernando Dacosta. E que considerou que, com esta
obra, Rita Ferro se debruça "corajosamente sobre uma época e uma geração
malditas que contribuíram inevitavelmente para a matriz da nossa
identidade". Cada categoria teve um júri próprio.
Fernando Guimarães
venceu na Poesia com As raízes diferentes editado pela Relógio d'Água, Maria
Filomena Molder no Ensaio com O Químico e
o Alquimista, Benjamin e Leitor de Baudelaire publicados também pela
Relógio d'Água . E Pedro Vieira foi o escritor distinguido na Primeira Obra com
Última Paragem em Massamá editado pela Quetzal. Com excepção do prémio para
primeira obra, cujo valor pecuniário é de 2500 euros, os outros prémios são de
cinco mil euros.
Na Narrativa, a
distinção dá alento a Rita Ferro para o próximo livro em vários volumes e no
qual já começou a trabalhar – um romance sobre o avô, António Ferro, de quem
diz haver “um lado oculto, desconhecido, até ao momento das entrevistas a
Salazar” na década de 1930. “Este prémio deu-me uma grande força para mexer em
matérias familiares com outro estímulo e outra segurança.”
Fonte: www.publico.pt
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